R: Olá Ricadito! Então, Sócrates (em seu última dia de vida) disse umas coisas interessantes sobre a relação do prazer com a dor. Não foi uma fala extensa, mas acho que ela pode te ajudar a repensar sua situação.
Segundo ele, é extraordinário aquilo que os homens (de uma maneira geral) denominam como "o prazer e, como [ele, o prazer] se associa admiravelmente com o sofrimento", ou seja, causava estranheza a Sócrates a "produção e a diversidade dos prazeres" e o fato de ninguém conseguir perceber que a AUSÊNCIA sempre estará acoplada aquilo que se possui. Tudo possui dualidade para Sócrates. Assim, ter alguém também significa que um dia não se terá alguém...E é sobre este ponto que, aliás, podemos responder de maneira adequada sua indagação.
Como você disse "você largou tudo"; ela por sua vez, nada largou - só esperou. Então, logo, ao sair para encontrá-la você precisou deixar de ser "você mesmo", ou seja, precisou abandonar certa Estabilidade (estabilidade emocional, pode ser?) e ela não, ela continuou estando aonde estava - apenas aguardando. Ora, se as coisas aconteceram como você diz, então, tê-la em seus braços foi a "recompensa por uma aventura amorosa" e, logo, o beijo dela era na verdade o prêmio resultante de "todo esforço empregado". Por sua vez, ela não empreendeu nenhum esforço e, por isso, seu beijo foi apenas "um beijo". Concorda? Para mim, fica claro, que foram dois eventos diferentes e, por isso, duas intensidades diferentes.
Como você disse "você largou tudo"; ela por sua vez, nada largou - só esperou. Então, logo, ao sair para encontrá-la você precisou deixar de ser "você mesmo", ou seja, precisou abandonar certa Estabilidade (estabilidade emocional, pode ser?) e ela não, ela continuou estando aonde estava - apenas aguardando. Ora, se as coisas aconteceram como você diz, então, tê-la em seus braços foi a "recompensa por uma aventura amorosa" e, logo, o beijo dela era na verdade o prêmio resultante de "todo esforço empregado". Por sua vez, ela não empreendeu nenhum esforço e, por isso, seu beijo foi apenas "um beijo". Concorda? Para mim, fica claro, que foram dois eventos diferentes e, por isso, duas intensidades diferentes.
Assim sendo, retorno novamente a Sócrates e lembro daquilo que ele disse ao ter seus grilhões retirados: "após o incômodo
da perna causada pelos ferros, segue-se-lhe o prazer".
Olha Ricardito, me parece bem lógico pensar que se os ferros podem causar "dor e prazer" é natural que eles causam "prazer e dor", ou seja, é natural supor que Sócrates (Apesar de não ter dito) tenha sentido dor ao colocar os grilhões - em oposição ao prazer que sentia e não identificava quando estava sem o grilhão. Além disso, me parece também, que o nível de prazer/dor experimentado está intimamente ligado ao nível de dor/prazer experimentado anteriormente. Assim, me parece, é o seu caso. Sua angústia pela situação é proporcional ao prazer que você experimentou (resultado da sua entrega maior) e, por isso, parece tão diametralmente oposta a reação dela, afinal, ela não teve o mesmo nível de "dedicação/prazer" que você teve.
Olha Ricardito, me parece bem lógico pensar que se os ferros podem causar "dor e prazer" é natural que eles causam "prazer e dor", ou seja, é natural supor que Sócrates (Apesar de não ter dito) tenha sentido dor ao colocar os grilhões - em oposição ao prazer que sentia e não identificava quando estava sem o grilhão. Além disso, me parece também, que o nível de prazer/dor experimentado está intimamente ligado ao nível de dor/prazer experimentado anteriormente. Assim, me parece, é o seu caso. Sua angústia pela situação é proporcional ao prazer que você experimentou (resultado da sua entrega maior) e, por isso, parece tão diametralmente oposta a reação dela, afinal, ela não teve o mesmo nível de "dedicação/prazer" que você teve.
Então, Ricardito, não se sinta mal. Você não foi enganado, ela só não viveu a mesma experiência que você.