quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Aristóles e as escolhas erradas

Aristóteles, lembro de ter estudado no ensino médio um livro seu sobre Ética. Aliás, meu professor dizia que você comentava também sobre como atingir "seu pleno potencial". Por isso, será que você poderia me aconselhar? Estou sempre fazendo escolhas erradas e acabo me ferrando no final. 


Cecília, obrigado pela lembrança - fico extremamente grato pelas palavras. Então, escrevi sobre a "Ética" na maturidade da vida (nesta época que já vivemos bastante e temos maior poder de análise da vida), na expectativa de aconselhar meu filho Nicômaco e, sinceramente, talvez eu possa falar algo de proveitoso para você. 

A vida precisa ser encarada como um exercício prático, não dá para determinar suas ações de um ponto de visto apenas teórico, saber "o que é a vida" não te ajuda essencialmente no viver. É, sem dúvida, somente no exercício de sua prática política, no contato com os outros, que suas "questões fundamentais" aparecem e podem ser trabalhadas. Logo, ser um indivíduo Ético, é uma questão de exercício e aprendizagem. Sendo assim, meu primeiro conselho: observe os outros e se eduque.

Ser um animal político tem três implicações: a primeira, bastante óbvia, é a de que o homem só pode atingir sua emancipação intelectual entrando em contato com os outros homens, ou seja, eu preciso do contato com o outro para desenvolver sua própria razão. O segundo ensino, por sua vez, está  ligado ao primeiro, pois, se você é um animal político e seu aprendizado está intimamente ligado com o outro, logo, sua prática política (ou sua capacidade de racionalização) está condicionada a das pessoas que você convive. A terceira é que, numa outra estrutura, o homem precisa ser capaz de conviver consigo mesmo, esta mesma capacidade de racionalização empregada para a sociedade precisa ser empregada para si mesmo, para o governo e compreensão dos seus próprios desejos. 

Ser um animal político, implica, necessariamente, a compreensão de quem nenhuma de suas ações está livre de uma reação (em você mesmo ou nos outros), logo, reflita bastante antes de agir. O uso equilibrado da razão, por sua vez, precisa vir acompanhado da prática. Quanto mais refletir e quanto mais fizer o uso de uma atitude mais "acabada racionalmente" mais ético e, por consequência, mais feliz você será.

Procure sempre o "caminho do meio" das suas escolhas, a mediana. Tomemos dois exemplos:

1). Reflita para não ser "medroso" ou "autoconfiante", mas corajoso. O corajoso reconhece a existência do medo e, por isso, pensa na consequência das suas ações antes de tomar sua atitude - não se pondo desnecessariamente ao perigo.

2). Entenda que a Moderação é melhor o caminho para o uso dos prazeres, pois, aqueles que os negam ou os cultuam ficam intimamente ligados a eles e comprometem o uso da razão.

Cecília, se quer melhorar sua escolhas: reflita. Pense se você está agindo corretamente com você e com os outros e, principalmente, se suas escolhas a colocam no lugar em que deveria estar. Só é possível atingir uma felicidade completa quando aumentamos a potencialidade daquilo que nascemos para praticar.