quinta-feira, 19 de março de 2020

Darwin e o amor adaptado

Darwin, aqui é Priscila, fui informada por um casal de amigos que meu "Ex-namorado" começou um outro relacionamento e que, aliás, já é até pai. Sinceramente, não sei se ainda o amo, mas sei que isso me chocou bastante. Será que ainda gosto dele? Será que, no meu caso, para que eu continue viva, é necessário que o meu sentimento sofra alguma modificação? Por favor, me ajude. 


R: Olá, Priscila. Sua carta me deixou bastante espantado, sempre achei que daria este tipo de conselho apenas para "flhos e netos". Como você sabe sou um pesquisador, alguém que dedicou sua vida para entender a "origem das espécies" (desculpe-me o trocadilho), mas minha pesquisa sempre se relacionou com os processos de convivência em uma perspectiva biológica. Contudo, meus anos de vida, que suponho sejam mais que os seus, me prontificarei a escrever "duas ou três linhas".

Então, de forma geral, não podemos "produzir nem impedir as variações" (DARWIN, p. 93) de nossas "modificações estruturais", ou seja, o que podemos é "apenas conservar e acumular as que se lhe apresentam" (DARWIN, p. 93) levando em consideração as condições de existência que somos acometidos e torcer, para que nosso "acúmulo" e nossa "conservação" nós torne mais adaptados para eventos futuros.

Assim, sinto muito, não somos capazes de provocar - em nós mesmos - um processo de modificação. Elas, por sua vez, quando ocorrem, são geradas por uma "uma mutação lenta e insensível das formas específicas, tal como estamos no direito de esperar" (DARWIN, p. 402), afinal tudo na natureza tem seu tempo certo de acontecer. No fundo, temos apenas a junção de pequenas modificações que - associadas a pequenas modificações - reeorganizam paulatinamente as condições de existência, perdidas na esteira do tempo.

Por outro lado, é forçoso considerar que "mudanças análogas podem e devem mesmo apresentar-se" (DARWIN, 93), ou seja, que situações pelas quais você está passando agora, podem (ou não, espero) ocorrer novamente e isso, ocorrendo, pode, quem sabe, te trazer algum tipo de "ensinamento" para as próximas relações. Afinal, "variações insignificantes, isto é, que não são nem úteis nem nocivas ao indivíduo, não são certamente afetadas pela seleção natural" (DARWIN, p.93), ou seja, coisas que não notamos da sua ocorrência (entenda "notar" aqui não apenas por nossa percepção intelecual, mas também biológica) não podem gerar modificações ou fortalecimento. 

Além disso, cabe lembrar que, a " seleção natural causa quase inevitavelmente uma extinção considerável das formas menos bem organizadas" (DARWIN, p. 17) e se isso verdadeiramente te abalou e ainda está viva, após a análise das condições, é, claramente, pelo fato de ter a possibilidade biológica de resistir a este processo. Logo, a "seleção natural" é a produção natural da vida que age, invariavelmente, selecionando os mais aptos e permitindo a sua reprodução - em cada um dos processos que o vivente se relaciona. 

Sua capacidade de sobrevivência pós-termino, sua capacidade de manter-se viva após a notícia e, obviamente, a própria escrita da carta, manifestam incessantemente as representações de quem busca a "sobrevivência". Priscila, entenda, você já foi selecionada. Você viverá, terá filhos, permitindo que "descendentes mais adaptados" a questões do coração permaneçam na Terra.


sábado, 22 de junho de 2019

Spinoza e a difícil escolha da Cura

Querido Spinoza, terminei um relacionamento há algum tempo, mas ainda o amo. E, quase agora, enquanto pensava em te escrever, li uma frase que dizia "Se dói é porque você escolheu a cura ao invés da anestesia". Então, se esta frase está correta, eu escolhei a "anestesia" para este meu Amor? Por favor, me ajuda.


R: Érica, achei intrigante a questão que levantou. Acredito que vou precisar me esteder um pouco para lhe responder suficientemente, tudo bem? 

Sabe, querida, para mim “os homens sãos feitos de tal maneira que não podem viver sem uma lei comum” (ESPINOSA, 2009, p.7), estão sempre em busca de um esteio, de uma forma condicionada de vida – não sendo “livres” buscam a prisão, inconscientemente. E, claro, a percepção/prática deste tipo de ética, desta forma como se vive, neste caso, se posta com uma articuladora entre os códigos de existência (aceitos ou não, pelo contexto social) estipulando uma produção de vida que serve apenas ao seu contexto social. Ou seja, de uma maneira geral, todos parecem buscar organizar suas ações para que elas caibam dentro da comunidade em que se está inserida e, claro, isso também vale para para os relacionamentos.

O Amor (ou aquilo que vulgarmente se chama de amor) é na verdade o resultado prático de ações combinadas "quando se ama" dentro de certo contexto social (da mesma forma "quando se odeia"). A vida em sociedade estabelece determinadas formas de comportamento que nos instigam em todas as circunstâcnais - inclusive nas ações que perpassam nossa vida sentimental. Desta forma, há um código para  o sofrimento, há um código para a falicidade, há um código para o amor. Ama quem é capaz de resproduzir a semitótica do amor, pois, amar exige o exercício prático desta "lei comum" que circunda a todos - quem não a põe em pratica não ama. 

Quando, por outro lado, projetamos isso na dor, temos o mesmo resultado. O sofrimento, a dor, exige uma certa prática comumente aceita. Sofrer "por amor" é anular a própria existência, é assumir a impossibilidade de uma felicidade. Sofre por amor quem "diminui" sua felicidade, quem transparece. Não basta sofrer, é preciso que se pareça em sofrimento. 

Parecer amar, parecer sofrer, são duas escolhas condicionantes de uma estrutura social, de uma sociedade, que está baseada na aparência. A busca pela verdade, pela consciência de si, deixou-se atravessada pelo verniz exterior, por um tipo de comportamente ético que - não podendo ser alcançando por ninguém - submete-se a uma ilusão fantasiosa do fingimento. 

Os momentos da vida são atravessadas por situações que aumentam e diminuem nossa potência de agir. O amor verdadeiro não está, então, na forma como "parecemos ao mundo", mas na medida em que esta situação "aumenta nossa potência de agir" e, claro, da mesma forma, o sofrimento real manifesta-se na "diminuição" desta mesma potência. Mas, repare, em ambos os casos, não trabalho com a impossibilidade da ação. Viver é, indiscutivelmente, agir. A questão é que, quando estamos tomados pelos sofrimento, por exemplo, pela perda de quem se amava, temos a nossa capacidade de "escolha/agir" diminuida e vivemos condicionados pela dor. O exercício de uma vida Ética, por outro lado, não está articulada a escolhas que "nos constragem", mas as situações que escolhemos (dentro daquilo que é possível, como seres sociais, escolher). Neste ponto, a única solução possível para termos novamente o "aumento de nossa potência de agir" é encarar o sofrimento de frente; em suma, reconhecer os equívocos cometidos (tendo ciência daquilo que foi nossa responsabilidade ou do outro). Não se trata de simplesmente escolher entre "cura e anestesia", há algo de muito mais profundo aí, trata-se de escolher entre "viver" ou "viver por aparência".

Uma vida de aparência, no relacionamento amoroso ou não, é uma vida vivida na busca de anestesias e subterfúgios. Aliás, escolher a anestesia, ao invéis da cura, é escoher - ainda que inconscientemente - uma "vida de servidão". Neste caso, uma servidão ao sofrimento.

Talvez, os embrigados pelo Amor, prefiram escolher uma vida de servo. Mas, é preciso deixar claro uma coisa: o servo não escolhe, ledo engano. Não se escolhe "como viver", aonde "viver" e, principalmente, "porque viver". Assim, o servo, não vive, ele é atravessado pelas exigências daquilo que o comanda. Sua existência é apenas uma prática reativa. O servo é condicionado pelo senhor, ele deseja apenas aquilo que o senhor deseja, a liberdade é uma maldição. Por isso, perceba, os "anestesiados" vivem numa infinita busca de novas anestesias, logo que passe o efeito da última. Ou seja, resolvendo "uma questão" projetam uma nova para justificar o posicionamento de servo. Fundamental, então, é que - ainda que paulatinamente - busque-se a cura. 

Curar-se, obviamente, não é uma tarefa simples. A cura é uma ação individual, não está em gurus e, claro, isso é um problema numa sociedade da "aparência", ou num meio em que todos buscam o "comum" e o social. Sua melhora, sua cura, não está nas regras criadas por outros. O aumento do seu equilíbrio, não está nas condutas que "qualquer outro idealizou", elas são suas e só suas. Ouvir/ler minhas palavras podem auxiliar no processo, mas o "aumento de sua potência de agir é (fundamentalmente) uma escolha individual e que, claro, só é passível com o uso do tempo.

Nossa razão, a maneira como entendemoso  o mundo e nossas ações, é conduzida - num primeiro momento - também pelo afeto, logo, quem está em sofrimento, tenderá a escolhas que - de início - o levam ao sofrimento. Romper com a servidão é, tendo ciência do processo de condicionamento provocado pelo sofrimento, saber escolher situações que o diminuam - sem jamais ignorar sua existência. Assim, com o passar do tempo, com o aclaramento das ideias, com a melhora do "afeto inicial", nossas escolhas produzem ações "mais limpas" e menos influencidas por atitudes que diminuem a vontade. A cura, a liberdade, é um processo demorado, mas a única forma possível de uma vida potente.  

Dentre todas as coisas, talvez, o Amor seja o caminho universal para a felicidade e, claro, para o aumento da "sua potência de agir". E, assim sendo, se agora sofre, se tem tem sua potência diminuida, será que isso é Amor? 



quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Aristóles e as escolhas erradas

Aristóteles, lembro de ter estudado no ensino médio um livro seu sobre Ética. Aliás, meu professor dizia que você comentava também sobre como atingir "seu pleno potencial". Por isso, será que você poderia me aconselhar? Estou sempre fazendo escolhas erradas e acabo me ferrando no final. 


Cecília, obrigado pela lembrança - fico extremamente grato pelas palavras. Então, escrevi sobre a "Ética" na maturidade da vida (nesta época que já vivemos bastante e temos maior poder de análise da vida), na expectativa de aconselhar meu filho Nicômaco e, sinceramente, talvez eu possa falar algo de proveitoso para você. 

A vida precisa ser encarada como um exercício prático, não dá para determinar suas ações de um ponto de visto apenas teórico, saber "o que é a vida" não te ajuda essencialmente no viver. É, sem dúvida, somente no exercício de sua prática política, no contato com os outros, que suas "questões fundamentais" aparecem e podem ser trabalhadas. Logo, ser um indivíduo Ético, é uma questão de exercício e aprendizagem. Sendo assim, meu primeiro conselho: observe os outros e se eduque.

Ser um animal político tem três implicações: a primeira, bastante óbvia, é a de que o homem só pode atingir sua emancipação intelectual entrando em contato com os outros homens, ou seja, eu preciso do contato com o outro para desenvolver sua própria razão. O segundo ensino, por sua vez, está  ligado ao primeiro, pois, se você é um animal político e seu aprendizado está intimamente ligado com o outro, logo, sua prática política (ou sua capacidade de racionalização) está condicionada a das pessoas que você convive. A terceira é que, numa outra estrutura, o homem precisa ser capaz de conviver consigo mesmo, esta mesma capacidade de racionalização empregada para a sociedade precisa ser empregada para si mesmo, para o governo e compreensão dos seus próprios desejos. 

Ser um animal político, implica, necessariamente, a compreensão de quem nenhuma de suas ações está livre de uma reação (em você mesmo ou nos outros), logo, reflita bastante antes de agir. O uso equilibrado da razão, por sua vez, precisa vir acompanhado da prática. Quanto mais refletir e quanto mais fizer o uso de uma atitude mais "acabada racionalmente" mais ético e, por consequência, mais feliz você será.

Procure sempre o "caminho do meio" das suas escolhas, a mediana. Tomemos dois exemplos:

1). Reflita para não ser "medroso" ou "autoconfiante", mas corajoso. O corajoso reconhece a existência do medo e, por isso, pensa na consequência das suas ações antes de tomar sua atitude - não se pondo desnecessariamente ao perigo.

2). Entenda que a Moderação é melhor o caminho para o uso dos prazeres, pois, aqueles que os negam ou os cultuam ficam intimamente ligados a eles e comprometem o uso da razão.

Cecília, se quer melhorar sua escolhas: reflita. Pense se você está agindo corretamente com você e com os outros e, principalmente, se suas escolhas a colocam no lugar em que deveria estar. Só é possível atingir uma felicidade completa quando aumentamos a potencialidade daquilo que nascemos para praticar.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Platão, acho que fui engando.


Platão, tudo certo? Então, preciso de uma ajuda. Acabei de conhecer uma pessoa e, loucamente, larguei tudo para encontrá-la. Foi ótimo, mas foi péssimo também. Sabe, ela foi super agradável, simpática, mas senti que não estava na mesma intensidade que eu. Agora estou arrasado, será que fui enganado?  



R: Olá Ricadito! Então, Sócrates (em seu última dia de vida) disse umas coisas interessantes sobre a relação do prazer com a dor. Não foi uma fala extensa, mas acho que ela pode te ajudar a repensar sua situação.
Segundo ele, é extraordinário aquilo que os homens (de uma maneira geral) denominam como "o prazer e, como [ele, o prazer] se associa admiravelmente com o sofrimento", ou seja, causava estranheza a Sócrates a "produção e a diversidade dos prazeres" e o fato de ninguém conseguir perceber que a AUSÊNCIA sempre estará acoplada aquilo que se possui. Tudo possui dualidade para Sócrates. Assim, ter alguém também significa que um dia não se terá alguém...E é sobre este ponto que, aliás, podemos responder de maneira adequada sua indagação.

Como você disse "você largou tudo"; ela por sua vez, nada largou - só esperou. Então, logo, ao sair para encontrá-la você precisou deixar de ser "você mesmo", ou seja, precisou abandonar certa Estabilidade (estabilidade emocional, pode ser?) e ela não, ela continuou estando aonde estava - apenas aguardando. Ora, se as coisas aconteceram como você diz, então, tê-la em seus braços foi a "recompensa por uma aventura amorosa" e, logo, o beijo dela era na verdade o prêmio resultante de "todo esforço empregado". Por sua vez, ela não empreendeu nenhum esforço e, por isso, seu beijo foi apenas "um beijo". Concorda? Para mim, fica claro, que foram dois eventos diferentes e, por isso, duas intensidades diferentes. 

Assim sendo, retorno novamente a Sócrates e lembro daquilo que ele disse ao ter seus grilhões retirados: "após o incômodo da perna causada pelos ferros, segue-se-lhe o prazer". 

Olha Ricardito, me parece bem lógico pensar que se os ferros podem causar "dor e prazer" é natural que eles causam "prazer e dor", ou seja, é natural supor que Sócrates (Apesar de não ter dito) tenha sentido dor ao colocar os grilhões - em oposição ao prazer que sentia e não identificava quando estava sem o grilhão. Além disso, me parece também, que o nível de prazer/dor experimentado está intimamente ligado ao nível de dor/prazer experimentado anteriormente. Assim, me parece, é o seu caso. Sua angústia pela situação é proporcional ao prazer que você experimentou (resultado da sua entrega maior) e, por isso, parece tão diametralmente oposta a reação dela, afinal, ela não teve o mesmo nível de "dedicação/prazer" que você teve.

Então, Ricardito, não se sinta mal. Você não foi enganado, ela só não viveu a mesma experiência que você. 

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Ser ou não-ser com William

Sr. Willian, estou entrando na fase dos "inta" e não consegui realizar nada de muito substancial. Sabe, eu sempre quis ser médico, mas com o tempo este sonho se foi. Sem querer parecer dramático, mas as vezes tenho a impressão que eu não consigo "Ser" e que, por isso, estou fadado a "não-ser". Isto é normal?

R: Caríssimo Alfredo, as coisas em meu tempo eram bem diferentes das do tempo que vives - como você sabe, acredito. Morri em 23 de abril de 1616 e, talvez, meus conselhos não sejam o mais interessante para você. Contudo, parece-me, que algumas coisas tocam a todos os seres humanos e, claro, é sobre isso que eu quero falar. Tudo bem?

Então, não sei se consigo entender os padrões de normalidade do seu tempo, mas fica uma pergunta inicial: é “mais nobre para alma suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes um fim tentando resistir-lhes?

Não há como saber os “sonhos que o sono da Morte trará”, nada há de absolutamente confiável sobre este respeito. Por isso, retira desta “covarde consciência” (aonde reside o temor da morte) toda fraqueza existente e alimente a coragem para a ação premente à vida. Afinal, acredite, você "É" alguma coisa e jamais poderá deixar de ser até o dia que se consuma a sua morte. Ser, Alfredo, é tomar as rédeas da própria vida e, logo, "não-ser" é tornar-se refém deste espectro da morte que não abandona os vivos. 

Sendo mais direto ainda, a questão é: se não fizer nada, neste momento, daqui para frente, as coisas irão se realizar? Acredito que não, não é?

Para terminar um trecho de outra peça (Júlio César): "os covardes morrem muitas vezes antes sua morte; os valentes morrem uma única vez”.

O resto, Alfredo, é apenas silêncio...

Platão, conselheiro amoroso


Platão me explique esta história de Amor Platônico, por favor? Tomei um "toco" no último domingo e acho que estou sofrendo desta coisa aí. Estou muito triste. Sabe, ela é tão bonita...


R: Marcus, eu não criei esta categoria de "Amor platônico", mas posso comentar um pouco sobre o AMOR e te ajudar, quem sabe, com este tal de "toco" que você tomou. Tranquilo?

Então, Diotima disse certa vez para Sócrates que ”a natureza mortal procura, na medida de suas forças, eternizar-se e imortalizar-se", ou seja, que nosso medo de morrer nos impulsiona o tempo todo para uma relação com o outro na tentativa de gerarmos filhos e, consequentemente, sermos capazes de vencer a morte - viver, deste jeito, em nossos descendentes. Então, neste caso, temos uma primeira características do Amor: sua tentativa de se conservar, de viver para sempre. Por isso, meu primeiro conselho é aprenda viver com ele.

Sobre a beleza, agora. Então, já escrevi em "o banquete" que há uma "beleza que não se apresenta como rosto ou como mãos ou qualquer outra coisa corporal" e que, por isso mesmo, não sofre nenhum tipo de influência externa. Esta, por isso mesmo, é a beleza enquanto essência, aquela que só é percebida pelos deuses e que, é alcançada gradativamente pelo intermédio do Amor. Por isso, você a acha "tão bela". Neste caso, graças ao amor, você está acessando aquilo que há de mais profundo, que existe para além dos corpos. Então, meu segundo conselho é: apesar do sofrimento imputado, ouça os conselhos do amor, ele te ajuda a enxergar além das aparências.

Agora, uma reflexão..

Marcus, você sabia que o Amor é filho da penúria e da esperteza? Ou seja, que o Amor é ao mesmo tempo "pobre" e "esperto" o suficiente para deixar de sê-lo. Isto o faz, por consequência, ter ao mesmo tempo duas naturezas. Já percebeu como os amantes são capazes de "tolices" e "ousadias"? É a característica fundamental do amor, a ambivalência. Por isso, uma pessoa conduzida pelo amor é feliz/infeliz - não há um estado perpétuo para o amante. Em suma, "quem não se considera incompleto e insuficiente, não deseja aquilo cuja falta não pode notar". Logo, seu sentimento de incompletude é o resultado de sua infelicidade anterior (antes do contato com este amor repentino), logo, se já fosse feliz antes ainda assim estaria. Por isso, cuidado...