quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Platão, conselheiro amoroso


Platão me explique esta história de Amor Platônico, por favor? Tomei um "toco" no último domingo e acho que estou sofrendo desta coisa aí. Estou muito triste. Sabe, ela é tão bonita...


R: Marcus, eu não criei esta categoria de "Amor platônico", mas posso comentar um pouco sobre o AMOR e te ajudar, quem sabe, com este tal de "toco" que você tomou. Tranquilo?

Então, Diotima disse certa vez para Sócrates que ”a natureza mortal procura, na medida de suas forças, eternizar-se e imortalizar-se", ou seja, que nosso medo de morrer nos impulsiona o tempo todo para uma relação com o outro na tentativa de gerarmos filhos e, consequentemente, sermos capazes de vencer a morte - viver, deste jeito, em nossos descendentes. Então, neste caso, temos uma primeira características do Amor: sua tentativa de se conservar, de viver para sempre. Por isso, meu primeiro conselho é aprenda viver com ele.

Sobre a beleza, agora. Então, já escrevi em "o banquete" que há uma "beleza que não se apresenta como rosto ou como mãos ou qualquer outra coisa corporal" e que, por isso mesmo, não sofre nenhum tipo de influência externa. Esta, por isso mesmo, é a beleza enquanto essência, aquela que só é percebida pelos deuses e que, é alcançada gradativamente pelo intermédio do Amor. Por isso, você a acha "tão bela". Neste caso, graças ao amor, você está acessando aquilo que há de mais profundo, que existe para além dos corpos. Então, meu segundo conselho é: apesar do sofrimento imputado, ouça os conselhos do amor, ele te ajuda a enxergar além das aparências.

Agora, uma reflexão..

Marcus, você sabia que o Amor é filho da penúria e da esperteza? Ou seja, que o Amor é ao mesmo tempo "pobre" e "esperto" o suficiente para deixar de sê-lo. Isto o faz, por consequência, ter ao mesmo tempo duas naturezas. Já percebeu como os amantes são capazes de "tolices" e "ousadias"? É a característica fundamental do amor, a ambivalência. Por isso, uma pessoa conduzida pelo amor é feliz/infeliz - não há um estado perpétuo para o amante. Em suma, "quem não se considera incompleto e insuficiente, não deseja aquilo cuja falta não pode notar". Logo, seu sentimento de incompletude é o resultado de sua infelicidade anterior (antes do contato com este amor repentino), logo, se já fosse feliz antes ainda assim estaria. Por isso, cuidado...

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